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terça-feira, 9 de outubro de 2007

A Implantação do Marxismo-Leninismo na Rússia de 1917, por Ricardo Mouta e Tiago Alves


Foto da Revolução Russa de 1917
Introdução:
A Revolução Russa foi uma série de acontecimentos ocorridos na Rússia imperial, que culminaram com a proclamação em 1917 de um Estado soviético, denominado União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).A expressão Revolução Russa é relativa às duas revoluções vitoriosas de 1917: a primeira, denominada Revolução de Fevereiro (Março, pelo calendário juliano, então usado na Rússia), levou à queda da autocrática monarquia imperial. A segunda, denominada Revolução Bolchevique ou Revolução de Outubro, foi organizada pelo partido bolchevique contra o governo provisório instalado na primeira fase.
A Revolução Russa de 1917 teve origem num conjunto de factores de ordem Politica, social e económica que é importante realçar.
Dos factores Políticos sublinhamos o seguinte:
- O império Russo era chefiado pelo Czar Nicolau II, em regime absolutista, ou de autocracia: o imperador detinha o poder absoluto, embora procura-se agradar apenas à Nobreza e ao Clero
- Em 1905, o descontentamento do povo manifestou-se de várias formas – Foi então que surgiram as primeiras assembleias de operários (Sovietes). Porém, as suas reivindicações foram reprimidas com violência.
- O descontentamento face ao regime político agravou-se com a participação da Rússia, a partir de 1914, na primeira grande guerra: Dos 13 milhões de soldados mobilizados, os mortos e desaparecidos rondavam os 13%.
- Vários Partidos políticos propunham a liberalização do regime; Coube à facção mais radical do partido social-democrata – os bolcheviques – a preparação da revolução de Outubro de 1917.
Dos factores sociais registamos:
A sociedade russa, nas vésperas da revolução, ainda era uma sociedade característica do período do antigo regime. Era composta, na sua maioria (cerca de 85%) por camponeses que cultivavam as terras – que não lhes pertenciam – para auto-consumo.
A Rússia manteve-se na cauda do arranque industrial. Consequentemente, a Burguesia era um grupo ainda em formação e sem quaisquer direitos políticos. O operariado era um grupo minoritário. Uma sociedade tão desigual não poderia deixar de provocar anseios revolucionários por parte da burguesia e do povo dos campos e das cidades
Factores Económicos:
A estrutura arcaica da economia russa, assente numa agricultura de subsistência e industrialização incipiente, aliada à injustiça distribuição de riqueza, criou o cenário propicio à tensão social.
Por seu lado, a participação na guerra veio alastrar os problemas económicos, provocando a carência dos bens mais elementares de consumo.
Lenine, líder dos bolcheviques
As duas faces da revolução (Fevereiro e Outubro de 1917)
A revolução de Fevereiro de 1917 consistiu num movimento armado contra o czarismo. O Assalto ao Palácio de Inverno foi protagonizado por camponeses, operários, soldados associados em sovietes. Kerenski, líder político que substituiu no poder o czar Nicolau II chefiou a Rússia sob forma de uma Republica Liberal. O governo de Kerenski, foi o responsável pela instauração do parlamento, a Duma. Nesse período, após o derrube do Czar (Fevereiro), a Rússia continuava envolvida na guerra e os problemas mantinham-se. A nível político, a autocracia dera lugar a um poder dual (partilhado por duas entidades: os governos liberais, por um lado, e os sovietes pelo outro).
Em consequência, em Outubro de 1917 os bolcheviques, com apoio dos sovietes, conduziram uma nova revolução, a chamada Revolução Bolchevique ou Revolução Soviética. Pela segunda vez, o Palácio de Inverno foi assaltado.
O governo provisório é substituído no poder pelo Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lenine.
A Revolução de Outubro teve repercussões mais marcantes para a história da Rússia do que a Revolução de Fevereiro, quer em termos político-sociais (foi responsável, nomeadamente, pela retirada da guerra, através do tratado de Brest-Litovsk), quer a nível ideológico, concretizando a primeira aplicação da prática da teoria de Marx, instaurando o marxismo-leninismo.
A queda do governo provisório (sem quaisquer oposição) foi também um dos efeitos a essa revolução.
A democracia dos sovietes colocou o poder politico nas mãos do conselho dos comissários do povo (exclusivamente bolchevique), entregou as terras aos camponeses e passou a haver também um controlo operário.
Mas tudo isto levantou alguns problemas, tais como: A resistência de proprietários e empresários às expropriações, a grande desorganização da economia, a perda das eleições por parte dos bolcheviques para a assembleia constituinte e a guerra civil (1918-1920) que opôs os mencheviques (exercito branco) contra os bolcheviques (exercito Vermelho). Tudo isto acaba em 1921 com a vitória dos bolcheviques, a acção politica de Lenine e com o aparecimento do comunismo de guerra.
Trotsky, Chefe do exército Vermelho
O comunismo de guerra (1918-1921) foi a concretização da ditadura do proletariado, substituindo a democracia dos sovietes. Em suma, o estado passou a controlar totalmente os meios de produção (Nacionalização da economia) como as terras, fábricas, comercio interno e externo etc. o trabalho passou a obrigatório, a assembleia constituinte foi dissolvida, o terror por parte da policia politica (campos de concentração), a proibição dos partidos políticos à excepção do comunista, como por exemplo o Partido bolchevique, entre outras medidas que sacrificaram a população já desgastada pelo esforço de guerra.
Isto tudo, não trouxe nada de positivo à população russa, muito pelo contrário. Apesar da requisição de géneros agrícolas aos camponeses, da fixação de preços obrigatórios e do trabalho obrigatório para os operários, a fome continuava.
Em 1921, a criação da NEP (Nova politica económica), constituiu uma viragem na economia, no sentido da liberdade de comércio como meio de superar a terrível crise económica herdada na guerra civil de 1918 – 1920 e das más colheitas de 1920. Os motivos da criação da NEP deveram-se à ruína da economia (fracasso do comunismo de guerra), provocada pelas devidas produções agrícolas e industriais, pela resistência às nacionalizações e à ditadura do Partido Comunista. A isto juntam-se as revoltas, a fome e a carestia, pela qual passava a população russa.
As medidas para a implantação desta nova politica económica passaram pela interrupção da colectivização agrária; a liberdade do comércio interno; das nacionalizações de empresas; o investimento financeiro e a maior liberdade de produção e venda.
Por ultimo as suas consequências, positiva, por sinal, pois levaram a um desenvolvimento da economia na Rússia, foram: - Liberdade económica, que fez desenvolver uma nova burguesia de ricos comerciantes e industriais; - permitiu que os camponeses vendessem directamente os seus produtos no mercado interno; - desenvolveu pequenas empresas ao controlo privado, aceitou a ajuda do estrangeiro em investimentos como maquinaria, matérias-primas, técnicos e eliminou o trabalho obrigatório, que tinha sido “imposto” a quando a concretização do comunismo de guerra.
A NEP, aplicada entre 1921 e 1927, foi um “balão de oxigénio” para a economia, pois resultou numa melhoria significativa dos níveis de produção agrícola e industrial.
Em 1922 foi criada a União das Republicas Socialistas Soviéticas (URSS). Esta tomou o nome de centralismo democrático, sistema que assentava nos em certos princípios. Nesta altura, e com a criação da URSS, o poder partia das bases da sociedade – Sovietes. Estes eram eleitos pela população através de sufrágio universal, que a partir daí, elegiam-se sucessivamente.
A organização do partido comunista, criado em 1918 a partir do partido bolchevique, e que seguia as mesmas bases, a mesma estrutura. Por seu lado, estas bases, teriam de obedecer aos órgãos de topo do estado. Ao contrário de outras democracias no ocidente da Europa, não existia a separação dos poderes (legislativo, executivo e judicial). O Estado era controlado pelo partido comunista, pois apenas este, era permitido. Considerava-se que era o único partido que podia representar o proletariado.
Conclusão: A Revolução Russa foi um dos acontecimentos históricos mais importantes ocorridos durante a Primeira Guerra Mundial. A sua importância decorre do facto de ter provocado a ruptura da ordem socioeconómica capitalista, que se espalhava pelo mundo sob a hegemonia das grandes potências europeias e dos Estados Unidos.
Durante o século XIX, as ideias socialistas elaboradas principalmente na Europa centro-ocidental difundiram-se cada vez mais pelas diversas partes do mundo.
As causas da Revolução Russa de 1917 foram as diversas derrotas na Primeira Guerra Mundial e noutras guerras, o governo absolutista e corrupto, crise económica e administrativa do país, desigualdade social, fome, altos impostos, entre outros fatores.
Este trabalho deu-nos a possibilidade de conhecer de uma forma aprofundada, aqueles que foram dos acontecimentos da história mundial. Acontecimentos que mudaram o mundo.
O seu estudo é sem dúvida enriquecedor e estimula o interesse pelas histórias e culturas dos séculos passados.
Ricardo Mouta Nº9
Tiago Alves Nº14

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A Implantação do Comunismo na Rússia, Andreia Santos e Andreia Teixeira

Lenine em plena revolução russa de 1917
Introdução
As (duas) Revoluções Russas foram formidáveis movimentos de massas e ideias que deram novo perfil a História da Humanidade: transformaram a vida de milhões e empolgaram ou aterrorizaram outros tantos. A bibliografia sobre ambas é vastíssima e continuam a provocar polémica. Naturalmente que isto se deveu a uma maior integração económica e comercial do mundo, assim como pelo desenvolvimento das comunicações. Os sociais-democratas defendiam as seguintes posições:
A prática do terrorismo era absolutamente inofensiva pois não abalava a estrutura do regime: "de que adianta abater o czar se o czravitch está logo ali para substituir o seu pai? ". Era necessário desenvolver um longo e amplo trabalho de "preparação" das massas, através da propaganda e da agitação. Levá-las à consciência da certeza da derrubada do czarismo como um todo e não em acções isoladas.
Favorecer a implantação do capitalismo na Rússia. Quanto mais empresas e indústrias lá se instalassem mais cresceria o proletariado urbano e favoreceria o surgimento da única classe verdadeiramente revolucionária. Ironicamente, esta posição dos marxistas, serviu para que fossem vistos como menos perigosos pela Okrana, a polícia secreta do Czar, que passou dedicar maior atenção àqueles que, no momento, lhes pareciam mais ameaçadores, os terroristas populistas.
Os mencheviques, influenciados pelo pensamento convencional do marxismo europeu, afixavam:
Ÿ A formação de um partido o mais amplo possível, considerando todo colaborador - directo ou indirecto como um membro do partido;
Ÿ Não acreditavam na possibilidade da Rússia transitar rumo ao Socialismo sem antes percorrer o desenvolvimento do Capitalismo;
Ÿ Como consequência, deveriam aliar-se à burguesia para depor o czarismo.
Os bolcheviques liderados por Lenine, tinham outra proposta:
Ÿ O partido deveria ser formado por revolucionários profissionais, só sendo membro quem militasse activamente nas suas fileiras, isso devia-se à permanente infiltração de "agentes provocadores da polícia secreta do czar e pelas condições gerais da repressão na Rússia, que não permitiam a existência de um partido "aberto";
Da Revolução de Fevereiro à Revolução de Outubro:
«A insurreição começou, de facto, em pleno dia e do modo mais natural. O Governo Provisória tratava de enviar a guarnição de Petrogrado para a frente de batalha (com a Alemanha, durante a primeira Grande guerra). A guarnição de Petrogrado era composta de 60 000 homens que tinham desempenhado um papel de primeiro plano na Revolução. Foram estes homens que mudaram o curso dos acontecimentos durante as grandes jornadas de Março, os que tinham criado o Soviete de Deputados de Soldados e repelido Kornilov às portas de Petrogrado. Grande número destes homens tinham se transformado em bolcheviques. (…)
Era evidente que qualquer tentativa de insurreição dependia da atitude da guarnição de Petrogrado. Por esse motivo o Governo Provisório queria substituir os regimentos da capital por tropas de confiança: os cossacos e batalhões da morte. Os comités do exército, os socialistas moderados e o Tsik partilhavam da mesma opinião. Assim, pois, organizou-se na frente e em Petrogrado uma vasta campanha que tinha como base o facto de haver oito meses que a guarnição de Petrogrado levava boa vida nos quartéis da capital, enquanto na frente os camaradas, esgotados, morriam de fome nas trincheiras (…).
A 25 de Outubro, à porta fechada, o comité central do Soviete de Petrogrado examinou a criação de um comité militar especial que decidiria sobre a atitude que devia ser adoptada. (…) A 29 de Outubro, no curso de uma sessão pública do Soviete de Petrogrado, Trotski propôs o reconhecimento oficial, pelo Soviete, do Comité Militar Revolucionário. (…)
A 30 de Outubro, numa assembleia de representantes de todos os regimentos de Petrogrado, foi adoptada a seguinte resolução: “A guarnição de Petrogrado não reconhece o Governo Provisório. O Soviete de Petrogrado é que é o nosso Governo. Só obedeceremos ás ordens que emanem do Soviete de Petrogrado por intermédio do seu Comité Militar é Militar Revolucionário.”
John Reed, Dez dias que Abalaram o Mundo, Europa-América, 1976
As três etapas da Revolução de 1917
De Fevereiro a Julho: O governo encontrou-se dividido entre o Governo Provisório liderado pela burguesia, classe-média e sectores da nobreza liberal e os Sovietes (de operários soldados e marinheiros) sem cuja aceitação pouco podia ser feita.
De Julho a Setembro: a insistência do Governo Provisório em manter o país na guerra contra a Alemanha, levou a exacerbação dos sectores populares e, tanto os bolcheviques (em Julho) como os contra-revolucionários (em Setembro), tentam derrubar o governo de Kerenski (um social-revolucionário) que representava a aliança entre os liberais, os mencheviques e os social-revolucionários. A tentativa direitista do Gen. Kornilov fracassa. Os bolcheviques que haviam sido perseguidos e presos (inclusive obrigando Lenine a refugiar-se temporariamente na Finlândia), voltam a gozar de popularidade.
De Setembro a Outubro: a ofensiva militar contra os alemães, organizada por Kerenski (pressionado pelos aliados franco-britânicos) é derrotada. Milhares de soldados abandonam o fronte, desertando em massa, terminando por engrossar as fileiras dos bolcheviques que prometiam paz imediata e distribuição das terras para os camponeses. O Governo Provisório não tinha mais condições de subsistir. No dia 25 de Outubro, os bolcheviques apoiados pelos principais regimentos de Petrogrado, pelos marinheiros da esquadra do Báltico e da Fortaleza de Kronstadt, e pelos Guardas Vermelhos (operários armados) tomam de assalto o Palácio de Inverno – sede do Governo Provisório. O mesmo acontece na maior parte do país, havendo apenas resistência maior em Moscovo. O golpe de Estado desfechado pelos bolcheviques foi incruento – poucas foram as vítimas em Outubro e Novembro. O país ainda teria que enfrentar uma ameaça ainda maior que a própria guerra – a guerra civil (1918-21) que atingiria todas as aldeias e rincões do país, levando-o à completa exaustão e a mais de um milhão de mortos.
A NEP e a reconstrução nacional
Em 1921, foi criada a NEP (a Nova Política Económica) que restabelecia as práticas capitalistas vigentes antes da Revolução. Os camponeses passariam a vender uma pequena parte da produção para o Estado a preço fixo, o restante podia ser vendido no mercado. Também permitiu o desenvolvimento de empreendimentos capitalistas na pequena indústria e no comércio. O estímulo pelo ganho pessoal foi reintroduzido e o igualitarismo teve que ceder passo à hierarquia e aos privilégios materiais. O país passou a ter uma constituição produtiva retrógrada, medidas socialistas (estatização das empresas, minas, transportes e bancos), conviviam com medidas capitalistas (o médio produtor rural, o capitalismo urbano) e com a economia tradicional (economia de subsistência empregada pelos camponeses pobres). Permitindo no entanto a sobrevivência do regime dando-lhe folga necessária para a reordenação de forças. O próprio Lenine teve dificuldade em definir o estado de coisas, que ironicamente classificava: como "uma mistura de czarismo com práticas capitalistas besuntadas por um verniz soviético". Os resultados práticos não demoraram a surtir efeito. Lentamente a produção agrícola foi sendo restabelecida; o sistema viário voltou a funcionar com maior regularidade e as pequenas indústrias começaram a lançar os seus produtos no mercado.
Conclusão
Estas condições favoreceram uma profunda acção de reconstrução económica interna, concebida e planeada por Lenine (a NEP), a qual, através de um recuo estratégico ao restabelecimento da pequena livre iniciativa e da pequena propriedade privada, e admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros, conseguiu que, até 1927,a URSS atingisse níveis de produção idênticos aos de 1913.
Bibliografia
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/rev_russa8.htm
Cadernos de História A7, de Pedro Almiro Neves, Ana Lídia Pinto e Maria Manuela Carvalho – Porto Editora.
Ÿ Cadernos de História A7, de Pedro Almiro Neves, Ana Lídia Pinto e Maria Manuela Carvalho – Porto Editora.