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domingo, 20 de abril de 2008

Pop Art

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Mais uma visão de O Grito de Munch, por Rute Teixeira


Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol

o céu ficou de súbito vermelho-sangue

eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação

havia sangue e línguas de fogo sobre o azul-escuro do fjord e sobre a cidade

os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade

e senti o grito infinito da Natureza.


O Grito (no original Skrik) é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista

Vemos ao fundo um céu de cores quentes, em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade). Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (supostamente seus amigos, como descrito acima) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua recto. A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem.

O Grito de Edward Munch, por Tiago Alves




O Grito de Edward Munch


O grito é uma pintura do norueguês Edward Munch (1863 – 1944), que é um dos precursores do expressionismo alemão.
Edvard Munch frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Oslo, vindo a ser influenciado por Courbet e Manet. No campo das ideias, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson marcou o seu percurso inicial. A arte era considerada como uma arma destinada a lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em O Dia Seguinte e Puberdade de 1886.

Burning cigarrete, auto-retrato de Edward Munch

Foi aos 30 anos (1893) que ele pintou o quadro “O Grito”, que tem como medida original 91x73.5 cm e está hoje exposto na Galeria Nacional de Oslo. Esta obra é considerada a sua obra máxima. O quadro retrata a angústia e o desespero e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor como na amizade.
Neste quadro vemos no fundo um céu de cores quentes, em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não o retrato da realidade). A figura humana também está em cores frias, cor de angústia e de dor, apresenta-se também sem cabelo o que demonstra um estado de saúde precário. A dor do grito está presente não só na personagem, mas também no fundo, a paisagem fica dolorosa e talvez por esta característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem, como se entrássemos no quadro e víssemos o mundo torto. Há também outra interpretação para este quadro. Na verdade, Munch colocou no quadro o desespero de pessoas de uma ilha onde ocorreu um tsunami e uma erupção vulcânica. É por isso que podemos ver o céu todo laranja, representando a erupção vulcânica, e o rio, representando o tsunami.
Este quadro foi roubado diversas vezes, tendo sido pela última vez encontrado em condições normais pela polícia norueguesa a 31 de Agosto de 2006.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A traição das imagens em Magritte, por Susana Pereira

Mas o que são na verdade todos esses objectos? (parece perguntar a obra de Magritte). Uma aparência enganosa, já que sua obra não contém objectos, mas somente representações pictóricas de objectos. "Isto não é um cachimbo" ("Ceci n'est pas une pipe"), provoca a frase pintada por ele debaixo de um cachimbo, que não era mesmo um cachimbo mas somente a pintura de um cachimbo. E feita esta distinção, vemo-nos às voltas não mais com um cachimbo (que nem era mesmo mas somente a pintura de um cachimbo) mas o cachimbo que não estava lá (considerávamos como se estivesse antes de vermos a frase).
A imagem pintada do cachimbo (consciente depois do raciocínio provocado pela frase), a ideia do cachimbo (acesa em nossa mente graças à provocação do artista). Com tantos cachimbos falsos, afinal não tínhamos um verdadeiro.

E não foi só com cachimbos que Magritte armou essas divertidas confusões. Muitos de seus quadros exploraram o uso das palavras, fosse negando o que mostrava a imagem, fosse atribuindo-lhe um novo significado. Assim, um relógio podia aparecer legendado como "o vento", enquanto um cavalo aparecia como "a porta". Segundo ele, "um objecto não está entranhado em seu nome de forma que não possamos encontrar um nome melhor para ele". Estas experiências bizarras com a linguagem traziam para a pintura aventuras que William James explorava na literatura ("a palavra cão não morde") e Wittgenstein na filosofia ("não podemos adivinhar a função de uma palavra sem examinar seu uso, e a dificuldade está em remover os preconceitos que bloqueiam este caminho").

Quem foi René Magritte?
Magritte nasceu em 1898 e morreu em 1967. Ao ser classificado de surrealista, reagiu e disse fazer uso da pintura com o objectivo de tornar visíveis os seus pensamentos. Magritte foi de facto um surrealista, mas foi também um pensador. O seu trabalho é sempre complexo e obriga ao raciocínio, à interpretação e ao estudo. Os quadros de Magritte não podem ser simplesmente vistos. Precisam ser pensados. Todo o surrealismo tem um trago de loucura que revela toda a genialidade.
Magritte detestava falar dos seus dados biográficos, afirmando: “Detesto meu passado, assim como o de qualquer pessoa. Detesto a resignação, a paciência, o heroísmo profissional e os belos sentimentos obrigatórios”
Ao procurar o mistério que envolve as coisas e os seres, Magritte concebeu quadros que, partindo da realidade quotidiana deveriam ter uma lógica diferente da habitual. Magritte representa o mundo do real e do imaginário com uma superficialidade misteriosa, que impõe ao observador a reflexão de que é através da lógica dos seus pensamentos e das suas associações e não da transfiguração sentimental que surge o misterioso.
Magritte cria também uma linguagem pictórica que não podemos ignorar e que permite aprofundar a compreensão habitual do quadro.
Opinião pessoal: Não me identifico com cachimbos. Apenas decidi escolher este quadro, porque achei bastante interessante como René Magritte explica o que desenhou: não é um cachimbo, porque não é de verdade e sim um desenho- Esta é base do Surrealismo.
E como me “chamou atenção” decidi fazer sobre este mesmo quadro.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A Prostituta de Rouault, por Ana Sofia

Vou fazer este trabalho com a intenção de esclarecer o que e o expressionismo e a sua importância na sociedade, falando então do grande pintor Georges Rouault e falar de uma das suas grandes obras.
O Expressionismo:
No norte da Europa, a celebração fauvista da cor foi levada a novas profundidades emocionais e psicológicas. A partir de 1905, o expressionismo desenvolveu-se quase simultaneamente em países diversos. O alemão, em especial, caracterizado por cores intensas e simbólicas e imagens exageradas, tendia a abordar os aspectos mais sombrios e sinistros da alma humana.
Embora o expressionismo tenha adquirido caráter nitidamente alemão, o francês Georges Rouault (1871 – 1958) foi quem uniu os efeitos decorativos do fauvismo à cor simbólica do expressionismo germânico. Rouault foi colega de Matisse na academia de Moreau e expôs com os fauvistas, mas sua paleta e sua temática profunda o colocam como um dos primeiros expressionistas, ainda que isolado. A obra de Rouault tem sido descrita como “o fauvismo de óculos escuros”.
Rouault era muitíssimo devoto, e alguns o consideram o maior artista religioso do século XX. Começou como aprendiz de vitralista, e o amor a contornos severos que contenham cores radiantes dão vigor e enternecimento a suas pinturas de prostitutas e palhaços. Ele não julga essas desventuradas figuras, mas a extrema piedade com que as mostra causa poderosa impressão; assim, Prostituta no espelho é um libelo feroz contra a crueldade humana.

O Quadro

A mulher é uma caricatura de feminilidade, embora a pobreza ainda a leve a ataviar-se miseravelmente diante do espelho, na esperança de encontrar trabalho. O quadro, porém, não deprime; antes, oferece a esperança da redenção. Para Rouault, essa obra é, se não exatamente religiosa, pelo menos profundamente moral. Trata-se de uma triste versão feminina dos Cristos torturados que ele pintou, uma figura desacreditada, menosprezada e escarnecida.
A ponte para o futuro:
A Brücke (Ponte) foi o primeiro de dois movimentos expressionistas que surgiram na Alemanha durante as primeiras décadas do século XX. O grupo formou-se em Dresden em 1905, e seus membros encontravam inspiração na obra de Van Gogh e Gauguin e na arte primitiva. Munch também era forte influência, tendo exposto em Berlim a partir de 1892. Ernst Ludwig Kirchner (1880 – 1938), o espírito condutor da Brücke, queria que a arte alemã fosse uma ponte para o futuro. Insistia para que o grupo, no qual se incluíam Erich Heckel (1883 – 1970) e Karl Schmidt-Rottluff (1884 – 1976), “expressasse convicções intimas [...] de modo sincero e espontâneo”.
Os fauvistas, mesmo em seus momentos mais desenfreados, conservavam um sentido de harmonia e projeto, mas a Brücke abandonou tal freio. Seus integrantes usavam imagens da cidade moderna para comunicar com figuras e tons distorcidos a idéia de um mundo hostil e alienante.

Filho de um marceneiro que trabalhava numa fábrica de pianos, Rouault nasceu num dia em que a Comuna de Paris estava a ser bombardeada pelas tropas francesas.
Os seus primeiros contactos com a arte deram-se na Escola de Artes Decorativas. Frequentava essa escola nos seus tempos livres, porque trabalhava como aprendiz no atelier de um mestre vidreiro.
Em 1890 matriculou-se na Escola das Belas Artes de Paris nas aulas dadas por Élie Delaunay. Com a morte de Delaunay, passou a ter aulas com Gustave Moureau que foi também professor de Matisse e de Marquet.
Rouault teve durante alguns tempos da sua vida o cargo de conservador do Museu Moreau.
Em 1908 casou-se com uma pianista de nome Marthe le Sidaner.
Em 1925 foi agraciado com o título de Cavalheiro da Legião de Honra como também já o fora Auguste Renoir.
Com a morte de Rouault o estado francês recebeu da família do artista cerca de oitocentas obras inacabadas.
A sua obra mais importante é, segundo alguns críticos, a série de pranchas que compõem a Miserere. Esta obra que devia ser constituída por 50 pranchas sobre Miserere e 50 pranchas sobre a guerra, acabou por ser formada só por 58 pranchas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Guernica de Pablo Picasso, por Joana Costa

No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.”
Pablo Picasso

"GUERNICA" é um óleo sobre tela de autoria de Pablo Picasso, datado de 1937. Executado para o pavilhão da República Espanhola, na Exposição Internacional de Paris. O painel tem as dimensões de 350 x 782 cm. Encontra-se actualmente exposto no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid.
A pintura foi feita sem uso de cores, em preto e branco – algo que demonstrava o sentimento de repúdio do artista ao bombardeio. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas, animais e edifícios destruídos pelo intenso bombardeio. A composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular das mesmas.
Composição
1. Touro: representa a resistência espanhola, por simbolizar a tourada, ícone do país. A sua brutalidade pretende representar Franco, que assiste ao trágico espectáculo com fascínio.
2. A mãe inconsolável: ela grita de dor e olha para o céu, após a chuva de fogo que devastou a cidade. Em seus braços, o seu filho morto. A imagem lembra uma versão cubista da pietà, difundida no Renascimento, em que Maria ampara Jesus morto logo após ser retirado da cruz.
3. Guerreiro até ao fim: mutilado, o homem parece ter sido morto apesar da resistência que demonstra. Num dos seus braços há uma espada partida onde cresce uma flor, símbolo de esperança numa nova vida e honra aos que não desistiram de lutar pela sua pátria e pelos seus valores.
4. Cavalo: figura emblemática do quadro, no qual gera várias interpretações. Pela sua expressão, ele sofre como a mulher, mostrando que a natureza também foi brutalmente afectada pelos bombardeios. O animal, dilacerado por uma lança no dorso, olha na direção do touro, como se fosse o espanhol oprimido fitando o algoz Franco.Também serve como interpretação a angústia do povo. Por cima da cabeça do cavalo, está um candeeiro eléctrico aceso, em forma de sol, que sugere o "olho de deus" que tudo vê.
5. Luz: Uma figura fantasmagórica surge do nada e olha espantada o cavalo. Em seu braço disforme, uma lamparina, típica das casas dos camponeses da época, ilumina suavemente a cena.
6. Via crucis: Outra possível interpretação cristã. A mulher, completamente esgotada, caminha em direção à luz produzida pela lamparina e o candeeiro em formato de olho. A figura feminina lembra o sofrimento de Cristo, com uma enorme e invisível cruz nas costas.
7. Fogo dos céus: A figura à direita do quadro parece estar a ser consumida pelas chamas de um edifício a arder. Esta figura é também frequentemente comparada à figura central de "os fuzilamentos" do 3 de Maio de 1808 de Goya. Existe ainda uma semelhança entre os elementos que levaram a ambos os quadros: os dois foram actos de selvagem brutalidade contra pessoas inocentes.
Períodos
Azul (1901 – 1904)
Rosa (1905 – 1907)
Africano (1908 – 1909)
Cubismo Analítico (1909 – 1912)
Cubismo Sintético (1912 – 1919)
Período Azul
Obras sombrias de tons azul e verde, ocasionalmente usando outras cores. Desenhava prostitutas e mendigos, influenciado por viagens pela Espanha com o seu amigo, Carlos Casagemas. O arlequim tornou-se um símbolo para Picasso.
Período Rosa
Estilo mais alegre de tons rosa e laranja, com muitos arlequins. Muitas das pinturas foram influenciadas por Fernande Olivier.
Período Africano
Figuras inspiradas na África, com especial destaque no quadro Les Demoiselles d'Avignon. As ideias neste período levaram então ao Cubismo.
Cubismo Analítico
Um estilo desenvolvido com Braque, tons de castanho monocromáticas. Usaram objectos e analisaram as suas formas.
Cubismo Sintético
Estilo com fragmentos de papel colados em composições. Marcando assim o primeiro uso da colagem na Arte Plástica.
Conclusão
Para muitos esta obra é a síntese da força e da energia do artista. O acontecimento que inspirou o conhecido quadro foi a própria cidade de Guernica, capital da província Basca, a qual a 26 de Abril de 1937 foi alvo de bombardeamentos por parte de aviões alemães por ordem do General Franco. Dos 7000 habitantes, 1654 foram mortos e 889 feridos. A destruição de Guernica foi a primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde empregado na 2ª Guerra Mundial. O Mural constituiu uma visão profética da desgraça.
Para mim, a obra significa mais de que a demonstração de repúdio e revolta do artista sobre o acontecimento, significa a dor e a indignação de um povo perante algo que não conseguiram evitar. Demonstra também uma forma de esperança e de luz, perante um mundo cheio de crueldade mas também de força. Para mim é o antes, o agora e o depois.
Bibliografia
¢ http://www.wikipédia.org/
¢ http://www.uc.pt/iej/alunos/1998-99/guernica/
¢ http://historia.abril.uol.com.br/2006/edicoes/grandesmomentos/mt_228551.shtml#texto

Durante uma revista ao quarto de Picasso, um oficial nazi pergunta, apontando para uma fotografia do mural de Guernica:
- Foi você quem fez isto?
Ao que Picasso respondeu:
- Não, foram vocês!

A Persistência da Memória de Salvador Dali, por Fátima Azevedo

A Persistência da Memória, Salvador Dali, 1931

“A Persistência da Memória” foi uma obra feita por Salvador Dali. Pretendeu reproduzir a “atmosfera” inquietante do sonho.
Salvador Dali baseava-se no Surrealismo. O Surrealismo procurou ultrapassar a percepção convencional e tradicional da realidade. Recusando uma rígida unidade estilística, o surrealismo concretizou-se num espectro muito alargado de linguagens que iam desde o realismo mais minucioso de Dali, de Magritte e de Paul Delvaux, às tendências mais abstractas de Miró ou de Hans Arp, englobando expressões como a pintura, a escultura, a fotografia ou o cinema. Foi desaparecendo enquanto movimento organizado com o surgir da Segunda Guerra Mundial, o Surrealismo teve repercussões consideráveis para o desenvolvimento de muitas das correntes artísticas da segunda metade do século XX.

Wassily Kandinsky - Yellow, Red, Blue 1925, por Andreia Teixeira

Wassily Kandinsky - Yellow, Red, Blue 1925;
Oil on canvas, 127x200cm; Centre Georges Pompidou, Paris.
O início do abstraccionismo
Já na década de 1910 Kandinsky desenvolve seus primeiros estudos não figurativos, fazendo com que seja considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstracta. Algumas das suas obras desta época, como "Murnau - Jardim I" (1910) e "Grüngasse em Murnau" (1909) mostram a influência dos Verões que Kandinsky passava em Murnau nessa época, notando-se um crescente abstraccionismo nas suas paisagens.

Comentário:
A arte abstracta ou abstraccionismo não representa objectos próprios da nossa realidade concreta exterior. Usa as relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira "não representativa". Surge a partir das experiências das vanguardas europeias, que recusam a herança renascentista. Ainda que fosse representativa e figurativa, procurava sintetizar os elementos da realidade natural, fugindo à simples imitação daquilo que era "concreto". Kandinsky utiliza cores extremamente fortes para caracterizar o seu estado de espírito no momento, todas as formas geométricas são características do abstraccionismo do pintor.

Merry Structure de Kandinsky, por Andreia Filipa S. Santos

Merry Structure – Kandinsky

Comentário à pintura:
O jogo de formas geométricas e as cores vibrantes são bem visíveis, como também as linhas de contorno. Todas estas manchas de cor e linhas são transformados em ideias e simbolismos subjectivos. Nesta pintura verifico que Kandinsky utiliza cores puras em pinceladas rápidas, tensas e violentas.

O abstraccionismo inspirava-se no instinto, no inconsciente e na intuição para construir uma arte imaginária ligada a uma “necessidade interior”, tenso sido influenciado pelo Expressionismo. Aparece como reacção às grandes revoluções do século, nomeadamente a I Guerra Mundial.

Ceci n'est pas Magritte, por Luísa Vieira


René François Ghislain Magritte(Lessines,21 de Novembro de1898-Bruxelas,15 de Agosto de 1967)

Pintor surrealista,nasce em 1898,Bélgica. Em 1912 sua mãe comete suicídio e Magritte está presente quando é retirado o cadáver do rio Sambre.
Em 1916,entra para a Académie Royale des Beaux-Arts,bruxelas,onde estuda por dois anos;durante esse periodo conhece Georgette Berger,com quem viria a casar em 1922.
Trabalha numa fábrica de papel de parede e é designer de cartazes e anúncios até 1926,quando o contrato com a Galerie la Centaure,fez da pintura a sua principal actividade.No mesmo ano cria a sua primeira pintura surrealista o "Le jockey perdu".Em 1927 apresenta a sua primeira exposição e muda-se para Paris,onde se envolve nas actividades do grupo surrealista,tornando-se grande amigo dos poetas Paul Èluard e André Breton e do pintor Marcel Duchamp.Mais tarde,Magritte retorna a Bruxelas e permanece na cidade durante a ocupação nazi,na Segunda Guerra Mundial.
Os suas obras foram expostas em 1936,Nova York,EUA,e em mais duas exposições retrospectivas na mesma cidade,uma no Museu de Arte Moderna(1965) e outra no Metropolitan Museum of Art(1992).
Magritte morre em 1967 vitima de cancro e é sepultado no Cemitério Schaarbeek,em Bruxelas.
Obra
O estilo de René Magritte era o surrealismo realista ou "realismo mágico".Iniciou-se imitando a vanguarda mas necessitava de uma componente mais poética como a da pintura metafísica de Chirico.



As suas obras são metáforas e representadas com tamanha nitidez o que caracteriza a preferência surrealista pelos paradoxos visuais:embora as coisas possam dar a impressão de serem normais,existem anomalias por toda a parte.
Magritte,pintor de insólitas imagens utilizou-se de processos ilusionistas:o contraste entre o tratamento realista dos objectos e a irreal atmosfera dos conjuntos.

O Surrealismo
O Surrealismo foi um movimento de ideias que se estendeu a vários campos:em primeiro lugar à literatura-tendo André Breton como teórico do movimento(1.º Manifesto Surrealista,1924);às artes plásticas com Max Ernst;mais tarde ao cinema com Dalí e Buñuel(1.º filme surrealista:"Un Chien Andalou",1928 e o mais importante "L´Age d´Or",1931);à fotografia com Man Ray e à música com Erik Satie.
Iniciou-se em França por volta de 1919,o seu nome foi-lhe atribuído pelo poéta Apollinaire,em 1917,aquando da representação do bailado"Parade" de Erik Satie,em Paris.
No campo conceptual,este movimento surgiu à semelhança do Dada como reacção à cultura e à civilização ocidentais e a tudo o que elas representassem,em particular o racionalismo e o convencionalismo;a estes valores opuseram outros:a liberdade e a irracionalidade,através de obras que utilizaram o sonho,a metáfora,o ínsólito,o inverosímil,contribuindo para a elevação do espirito,separando-o da matéria;aplicando ensinamentos de Freud e da psicanálise e até as teorias de Marx.
Em termos estéticos baseou-se no Romantismo e no Simbolismo(finais séc.XIX),em especial nas obras de Gustave Moreau e Odilon Redon;manteve contacto com a pintura metafísica(Chirico)e identificou-se com trabalhos de Picasso e Klee.Esta visão do mundo não exclusiva dos surrealistas,já apareceu no passado com Bosch(1450-1516) e com Arcimboldo(1537-1593).
Comforme os ideais enunciados no Manifesto Surrealista,as obras deste movimento seriam executadas à margem da razão,sem moralismos ou preocupações estéticas racionalizadas;a associação de ideias seria livre segundo a prática do "automatismo psíquico".
Plasticamente,utilizaram influências técnicas do Dadaísmo:
»-colagem,fronttage,assemblage,dripping e decalcomania com Max Ernst.
»-"desenho e pintura automáticos"com Masson.
»-técnicas clássicas,formas fantasmagóricas e "trompe-l´oeil" com Dalí,Magritte e Yves Tanguy.
As temáticas variavam entre:
»-o erotismo,o onírico e o sonho que revelavam o inconsciente.
»-o mundo da magia e de todas as forças alheias à racionalização e o senso comum.
Os autores mais importantes foram os pintores:
Max Ernst (1891-1976)
André Masson (1896-1987)
Yves Taguy (1900-1955)
Salvador Dalí (1904-1989)
René Magritte (1898-1967)
Paul Delvaux (1897-1994)
Juan Miró (1893-1983)
Man Ray (1890-1976)
Francis Picabia (1879-1953)
Marc Chagall (1887-1985)
...e algumas obras de Klee e Picasso;e os escultores Hans Arp,Giacometti e Moore.


Análise da Obra
Edward James,coleccionador inglês,fotografia de Man Ray.Um violento clarão,uma explusão de luz tomaram o lugar do rosto/cabeça que foi decapitada;o artista substituiu a verdade da arte pela representação,reprodução e repetição típica desta técnica.A sua ideia é que o instantâneo fotográfico,em vez de reconhecer a realidade,representa uma operação mecânica e uma manipulação que transforma a luz e a sombra numa ilusão errada.Sendo Magritte um fotógrafo pretende dar uma interpretação irónica ao trocar a posição das mãos e a colocar a pedra do outro lado.O retrato não é pintado para a frente mas antes parece ter sido empurrado para trás,através da tela e da luz do que é visivel,que sempre tem mais tendência para ocultar do que mostrar.Magritte pretende demonstrar que aquilo que vemos está,de facto,a esconder-nos alguma coisa,enquanto o que é invisivel é incapaz de continuar oculto;é até possivel mostrar o que não pode ser monstrado,ordenando as figuras visiveis de forma que possam ser apreciados os limites do visivel,porém só por si a pintura não poderia ultrapassar esses limites.
O Princípio do Prazer é o exemplo do princípio da pintura como afirmação sensorial cheia de realidades abstratas,inversão e perversão do mundo habitual em favor de um mais real,ou seja,a troca de um mundo de mandamentos e proibições por outro misterioso,uma promessa a que a arte e o pensamento deveriam responder.
Luísa Vieira

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Como analisar uma obra de arte (alguns princípios)

Les Demoiselles d'Avignon, Pablo Picasso, 1907
· Analisar uma obra de Arte
· Analisar uma obra como um documento que se inscreve no contexto de uma época
· Exprimir um comentário pessoal sobre uma obra de arte
Uma obra de arte, qualquer que seja a sua forma, é simultaneamente:
Þ Um testemunho do sentido do belo do seu criador
Þ Um documento histórico
Þ Um diálogo, afectivo ou intelectual, entre a obra de arte e o seu espectador, no caso das artes visuais
Uma obra de arte pode ser analisada de várias formas(esta é uma proposta, podendo haver outras) e pretende sempre alcançar os seguintes objectivos:
Þ Ajudar a apreender as técnicas utilizadas pelo autor para transmitir a sua mensagem
Þ Mostrar como a obra de arte é a expressão de um dado contexto histórico
Þ Sensibilizar para a fruição dos valores estéticos
Como analisar uma pintura
Deve ter-se sempre em conta certos dados técnicos que diferem de época para época, ou de autor para autor
1. Observar atentamente as informações dadas na legenda da obra : autor ; título ; data da execução; suporte ; dimensões; lugar de conservação
2. Obter dados sobre o autor : data e lugar de nascimento e morte ; origem social ; anos e lugares de formação; idade aquando da realização da obra; outras obras suas
3. Reconhecer o tipo de assunto representado : cena religiosa ; histórica ; mitológica; alegoria ; retrato ; paisagem ...
(se e quando apareceu ao público ; acolhimento...)
4. Analisar o assunto propriamente dito : descrever o que está representado ; lugares ; enquadramento da cena; personagens; acção das personagens ; objectos..
Deve tentar perceber-se porque é que o autor pintou um quadro com aquelas dimensões e não outras, proceder à análise da cena, do enquadramento desta, dos móveis, dos objectos representados, da paisagem, da posição das personagens, identificando-as, como estão vestidas, em que atitude se encontram , etc.
Análise plástica /A técnica pictural
A composição __ Quais são as linhas que organizam o quadro? Isto é, a organização das figuras segundo esquemas geométricos ou não, com eixos bem marcados ou não, segundo leis de perspectiva ou sem elas (como é criado o sentido de profundidade)
O desenho __ qual é a função da linha, a sua espessura e forma? Tem um papel fundamental ou acessório?
As cores __ Quais são as cores dominantes?, cores quentes ou frias?, fundamentais ou complementares?
A luz __ De onde vem a luz? Está repartida uniformemente? Qual é o seu efeito?
A técnica de pintura __ mancha larga, pontilhada, linear, sfumato, modelado
A matéria __ óleo, têmpera, etc
Deverá analisar se o olhar do espectador é atraído para algum ponto em especial e porquê ; o que se pretende traduzir com determinadas cores ; se o emprego de determinada técnica marca decididamente o estilo do autor; se o emprego de determinadas matérias representa um avanço em relação a outros, inserção ou não nas técnicas comuns, etc
Análise histórica
Porquê este tema ? Porquê esta técnica ? Porquê este estilo? Que efeito pretendeu produzir no público? Insere-se numa corrente artística ou rompe com as correntes dominantes?
A resposta a estas questões levará à descoberta de problemas relacionados com: tipos de encomendas , ideias perfilhadas pelo autor, mentalidade dominante ; tipo de materiais colocados à sua disposição, influências de outros artistas, etc
Fazer um comentário pessoal sobre a obra de arte
Comentar do ponto de vista pessoal uma obra de arte, é exprimir a sua adesão ou não, à obra, quer do ponto de vista intelectual, quer do ponto de vista afectivo, justificando a sua posição
Conclusão
Com as informações fornecidas pela análise do quadro poderá concluir do valor histórico do documento que analisou, isto é, de que modo é que ele serve ou não de testemunho da sua época, fornecendo elementos de índole económica, social, política, religiosa e artística.

Prostituta ao Espelho, Georges Rouault